46 Bureau Digital

É comum, ao iniciar o processo de criação de uma logomarca, surgirem várias dúvidas que podem travar ou retardar o desenvolvimento do trabalho. Algumas vezes isso se dá pela complexidade do projeto. Outras, pela falta de clareza do breafing, ou até mesmo pela falta de um objetivo que indique um caminho a seguir. Fazer as perguntas certas pode eliminar várias dessas dúvidas. Mas o que fazer quando não se sabe o que perguntar?

Pois bem! Fazer as perguntas certas é a parte principal para ter em mãos um breafing completo, objetivo, e que potencialize as suas chances de aprovar o trabalho logo de primeira.

Então, quais são as perguntas a serem feitas?

Relacionei logo abaixo algumas que acho importante, e que descobri na minha experiência profissional:

2. A LOGOMARCA PRECISA SER MODERNA, CLÁSSICA OU ATEMPORAL?

- O que a empresa representa para os clientes?

- Ela tem tempo de mercado?

- É necessário transmitir a idéia de longevidade?

- Ou a idéia de modernismo atrai mais o público alvo?

- A faixa etária do consumidor está definida?

Muitas vezes, mesmo com uma empresa iniciante no mercado, é necessário transmitir a idéia de segurança e tempo de atuação, visto que para os seus clientes esse é um fator preponderante para fechamento de negócios. Neste perfil podemos incluir empresas de segurança, médicos, estabelecimentos financeiros, algumas escolas, farmácias, advogados e outros. Para estes, um visual “moderninho” pode passar uma noção de valor indesejável, criando um desconforto àqueles que procuram pelos seus serviços ou produtos. As empresas de telefonia, internet , comunicação, lazer, turismo, são exemplos de onde podemos usar um layout mais contemporâneo e/ou despojado.

3. QUAIS CORES COMBINAM COM O PERFIL DO CLIENTE?

As cores têm alma e transmitem informações que, algumas vezes, diferem em regiões distintas. Por isso, a mesma linha de pensamento do tópico anterior deve ser seguida na busca da(s) cor(es) que melhor transmita(m) as sensações contidas nos valores da marca, e que melhor enalteça o design da logomarca.

Muitas vezes, o cliente já vem com uma ideia de cor predefinida para o trabalho e nem sempre esta cor é adequada para o projeto, cabendo ao designer dissuadi-lo desse raciocínio. Esse trabalho pode ser feito através de exemplos de outras marcas que concorrem na mesma área ou buscando literaturas que dissertem sobre o assunto, mostrando que você estuda sobre o que está defendendo e que outros profissionais do mercado têm a mesma visão que a sua.

A exceção para o caso seria a busca pela diferenciação através de cores totalmente fora da linha das concorrentes. Para isso, vale esclarecer o seu cliente que faz-se necessário pesados investimentos em mídia para quebrar a visão da massa sobre um padrão já estabelecido e que será uma trajetória demorada. Claro que isso se torna muito mais fácil ao se tratar de empresa líder de mercado, através da qual as outras se espelham para criar os seus produtos.

4. O DESIGN TERÁ SÍMBOLO, TIPOGRAFIA, OS DOIS?

O breafing deve ter elementos suficientes para a tomada de decisão. Muitas vezes o cliente decide esse caminho, outras vezes o design influencia e, em outras, os dois concordam com uma decisão após uma discussão. O que é importante é basear a decisão em um objetivo que se queira alcançar e ter o máximo de parâmetros técnicos para sustentá-la. Em determinados casos é claro e límpido que o uso de um ícone é primordial, em outros, uma fonte se faz necessária. Como gosto de exemplos, eu não vejo como seria possível a marca de um profissional da área médica, ou um arquiteto, sem o uso de uma bela fonte, pois nesta área a capacidade do profissional é fator preponderante na sua escolha. Ou seja, o seu nome geralmente é a marca. Um outro exemplo é a área digital, onde raramente vemos uma logo sem o uso de um ícone. Nestes e em quaisquer outros casos a análise do mercado indicará o caminho mais apropriado. É claro que, vasculhando esses dois universos, encontraremos exceções. Provavelmente, não encontraremos as cifras que eles gastaram para se firmar no mercado; ou tinham um produto tão bom que pouco interessava qual o estilo da sua marca para alcançar o sucesso; ou ainda, fizeram sucesso no mercado físico para depois entrar no digital.

5. QUAIS AS FONTES QUE DEVER SER USADAS?

Depende muito: o seu cliente é local, regional, internacional?

Em primeiro lugar, não esqueça: não ponha o seu cliente em maus lençóis. Saiba que toda fonte tem um criador que cobrará pelo seu uso. Trabalhe com fontes legalizadas e, quando isso não for possível, crie suas próprias fontes.

Mas, usando uma fonte de mercado ou desenvolvendo uma, lembre-se que ela precisa se harmonizar com outros elementos da marca, criando um vínculo imperceptível e, mesmo tendo nela a leitura principal, ela é parte de um conjunto.

Tendo as fontes características que as enquadram em determinados estilos, escolha sempre o estilo condizente com o perfil em que a logomarca vem sendo desenvolvida. Fontes fininhas são mais femininas e delicadas; as serifadas são clássicas; as sans serif têm presença em chamadas; fontes script são pessoais; os modelos arial, avant garden, times new Roman, são geralmente para texto corrido.

Cuidado: algumas fontes ganham o gosto dos profissionais e são utilizadas em demasia, banalizando o seu uso. Evite-as.

6. A PARTE TÉCNICA FOI CONTEMPLADA?

Muitas vezes o cliente adora a marca, paga com satisfação, mas só descobre meses depois que ela não ficou legal no chaveiro, ou na placa, ou no uniforme.

Se você não está sendo contratado para criar apenas a logomarca, saiba que, em parte do trabalho, vai ter que suar a camisa de graça se quiser que ele fique bem feito. Terá que testar o seu belo trabalho em algumas peças de merchandising, mídia e comunicação visual antes de entregá-la ao seu cliente. Terá que verificar as reduções, aplicações de fundo, combinações de cores e outros detalhes técnicos. Por isso, nunca feche o projeto de uma logomarca sem incluir 3 ou 4 itens de comunicação no pacote, pois eles irão remunerar as experiências necessárias para garantir a eficiência da sua criação.

No mais, é suar a camisa e testar o máximo de possibilidades que o seu projeto permitir. A pior coisa que um cliente pode me perguntar é “você já testou assim?” A resposta é obvia: “Já testei assim, assim, assado...e essa foi a melhor opção encontrada”.

Trabalhar com paixão é também imprescindível para gerar resultados satisfatórios na ponta, visto que muitas vezes a certeza da aprovação esbarra em diálogos do tipo:

- Não gostei (cliente)

- Pode me dizer do que não gostou? (você)

- Não sei! Faça outra só pra eu comparar (cliente)

Aí acabou o projeto, o ânimo, e tudo mais que lhe motivou.

Para evitar isso, sempre que for apresentar o trabalho explique ao seu cliente como se deu o processo criativo; narre os momentos de dúvida que gerou uma tomada de decisão para outro caminho; empregue valor aos elementos incorporados na logo; se possível, alimente o seu cliente com detalhes técnicos que o fizeram escolher essa ou aquela cor. Essa atitude vai deixá-lo confiante no seu trabalho.

Um macete que quase sempre uso quando vou apresentar uma logomarca é levar comigo, além de todas as impressões do projeto, também os desenhos anteriores que levaram ao resultado final. Quando percebo que o cliente pode não estar totalmente crente se houve mesmo todas as experiências, eu saco esses desenhos e faço uma narrativa de todo o trabalho. O resultado disso é incrivelmente satisfatório. Mas cuidado: use apenas se for necessário. Isso pode confundir o cliente.






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